31 de Outubro – A Origem do


O halloween, ou dia das bruxas como ficou conhecido, embora seja uma tradição de países do exterior, vêm ganhando cada vez mais a simpatia dos brasileiros.
O que muita gente desconhece é que esta festividade, digamos, exótica, surgiu a partir de adaptações de crenças dos povos pagãos¹.
Estes povos, em destaque os celtas, possuíam vários festivais durante o ano, que eram baseados nas est
ações, ou seja, no ciclo da natureza. Isto porque, eles dependiam daquilo o que vinha da terra e não tinham a tecnologia e facilidades que temos hoje, estando sujeitos a dificuldades que não conhecemos. Eles entendiam que a natureza e suas forças possuem sua própria energia e que precisamos estar em harmonia com ela para sobreviver, pois, assim como tudo o que nos rodeia, o ser humano faz parte dela.
Bem, nesta data em especial, comemorava-s
e o festival chamado de Samhain (pronuncia-se Sou-ein e ia de 31 de outubro a 02 de novembro). Era uma das mais importantes datas para eles, pois tratava-se do ANO NOVO, bem como o princípio do inverno. Ao que se sabe, os Celtas dividiam o ano em dois períodos: a metade quente e a metade fria (escuridão), como se existisse apenas verão e inverno, e observavam, dentro de cada período a evolução e transição do clima. Portanto, esta celebração ocorria no pico do Outono, mas era chamada de “Fim de Verão” e “Amanhecer do Inverno”.

Neste período acreditava-se que a barreira entre o mundo material e os outros mundos praticamente não existia. Por se tratar de início de ano e considerando as dificuldades que poderiam vir com um rigoroso inverno, pois provavelmente haveria escassez de alimento, era comum comunicarem-se com seus ancestrais e energias presentes na época, a fim de obter conselho e garantir que sobreviveriam.
Era também um período de renovação onde concluíam todos os assuntos pendentes e se desfaziam do que já
não servia mais. Com o tempo, e o advento da nova religião, muitas das preciosidades destes povos acabaram sendo destruídas, distorcidas e adaptadas.

Os ancestrais que para eles trariam sabedoria e força, acabaram virando espíritos malignos dos mortos que vinham perturbar, as energias da natureza que se apresentavam na época acabaram virando demônios. Os pagãos acabaram sendo chamados de bruxos e bruxas e associados a coisas negativas e pejorativas, por conta da “santa” inquisição.

Houve uma série de fusões e mesclas e os disfarces e máscaras foram adotados como forma de afastar os maus espíritos, mas, pode ser que isto vinha sendo feito pelos antigos também, pois, diz-se que as máscaras eram utilizadas por pessoas que precisavam sair na noite de Samhain. De um modo geral, se a linha entre os mundos está mais em tênue, existe uma possibilidade maior dos mortos vagarem entre nós e isto não excluiria espíritos hostis. De qualquer forma, ainda não está claro onde começa e termina cada costume e onde eles se fundem, principalmente pelo fato de que os povos antigos costumavam passar suas tradições oralmente.
Também o cristianismo teria aproveitado a fase para adaptar os dias de Todos os Santos (All Hallows' Eve) e Finados, devido à associação do período com os mortos². O costume das crianças fantasiadas baterem à porta com a famosa frase: ”travessuras ou gostosuras” é uma brincadeira existente desde o séc. IX onde as pessoas faziam bolos e entregavam um pedaço às crianças em troca da promessa que elas rezassem por um parente falecido da mesma. Porém, em tempos antigos, eram adultos vagantes que iam cantando cânticos de casa em casa e recebiam agrados dos habitantes. Eram oferecidos também presentes (treat) aos espíritos em forma de oferenda e, na Bélgica, um antigo costume era o de preparar “Bolos para os Mortos” (bolinhos pequenos). Comiam então um bolo para cada espírito e, quanto mais bolos comessem, mais os mortos os abençoariam; mais uma vez a referência aos doces.
Outra tradição desta data que perdura até hoje são os jogos de Oráculos. Era comum, principalmente por se tratar do ano novo, os líderes espirituais fazerem adivinhações para que todos pudessem se preparar para os próximos meses e as dificuldades que poderiam vir. No mesmo ritmo, as pessoas do povo faziam suas próprias “previsões”: uma das brincadeiras  é o barril de maças, que as mulheres faziam. Segundo a crença, a primeira que conseguisse pegar uma maça, se casaria no próximo ano.    
¹ Pagão: significa originalmente “homem do campo” (viviam e tinham suas crenças voltada para a colheita) que, com o tempo,  acabou virando para muitos: “aquele que não é cristão”.
² Diversas datas e comemorações cristãs foram firmadas em datas pagãs para facilitar a conversão à nova religião.

Jack O´lantern
A lenda de origem Irlandesa conta:
Jack era um homem que bebia muito e vivia perambulando pelas cidades. Tinha uma péssima reputação devido a suas maldades e, por conta disto, o diabo resolveu levá-lo. Deparando-se com ele Jack fez seu último pedido: convenceu o diabo a deixá-lo beber uma última vez, e assim os dois foram para um bar. Depois de saciado pediu ao diabo que se transformasse em uma moeda de prata para pagar a conta e, assim que a transformação aconteceu, rapidamente, Jack enfiou a moeda-diabo no bolso. O que o diabo não esperava é que também no bolso, havia um crucifixo, o que o impediu de voltar a sua forma normal. Em troca de sua liberdade Jack exigiu mais um ano de vida e que, caso viesse a falecer por outro motivo, o diabo não poderia levá-lo. O trato foi aceito e a promessa cumprida. 

Um ano depois, estava o diabo de volta, tentando levá-lo novamente. E, mais uma vez, Jack enganou o diabo (que diabo burro): pediu para comer uma fruta antes de ser levado e fez o diabo subir em uma árvore para pegá-la. Assim que o diabo subiu, Jack esculpiu um crucifixo na casca do tronco deixando-o preso nos galhos. Desta vez exigiu mais 10 anos e que o diabo, novamente, não poderia levar sua alma caso morresse. O diabo, enfurecido, concordou. Mas, pouco tempo depois, Jack morreu e seu “truque” se voltou contra ele: ao bater na porta do céu sua entrada foi negada! Sem alternativa desceu para o inferno e, ao chegar lá, o diabo também o recusou: a final fazia parte do trato “o diabo não poderia ter sua alma”. Sem ter para onde ir, o diabo forneceu-lhe uma lanterna feita de carvão em um nabo para que não se apagasse e condenou–o a vagar pela escuridão. Diz a lenda que, na noite de Halloween, nas áreas rurais, podiam ver a luzinha de Jack se deslocando por entre as árvores.

Esta lenda, obviamente, tem um forte apelo cristão, com a idéia do diabo X crucifixo e,com certeza, faz referência a adaptações. Existem divergências de idéias entre os historiadores quanto à origem do costume das abóboras: uns atribuem aos Irlandeses e outros aos escoceses. Ao que parece, estas lanternas eram feitas como forma de proteção, a fim de afastar maus espíritos que poderiam se aproximar neste período. Além disto, a princípio, seriam feitas de nabos, passando a abóboras quando o costume chegou na América, onde haviam muitas abóboras.
obs: ainda bem que viraram abóboras, pois estes nabos, realmente dão medo... 
(nabo decorado para o tradicional Halloween irlandês do ínício do século XX, exibido no Museu da Vida Rural na Irlanda)
Samhain
31 de outubro no hemisfério Norte - 1º de maio no hemisfério Sul
O Samhaim (pronunica-se sou-in ou sou-ein), é uma das principais celebrações dos antigos Celtas, senão a mais importante. Este período em especial durava de 31 de Outubro e 02 de Novembro e marcava um período onde, com a chegada da escuridão, como era visto por eles (fim do verão e início do período frio)¹, comemorava-se o fim de um ano e início do próximo. Por estar relacionado ao período de escuridão e com a morte do Deus Sol (mais adiante falaremos sobre isto), acreditava-se (e a crença persiste até hoje) que a linha entre o mundo material e os outros mundos se torna mais tênue, assim como a comunicação entre as dimensões está mais favorável.
Para entendermos um pouquinho mais, precisamos entender o ciclo todo. Este ciclo se repete ano após ano, uma série de comemorações e momentos que representam o desenrolar da vida em si. Ele funciona com oito datas importantes em momentos cruciais. Inica-se em Samhain, com a reflexão sobre a morte. A morte aqui não é vista como um mau implacável, e sim como um novo começo. Transmutação e renovação: assim como a lagarta precisa morrer como lagarta para transformar-se em borboleta, não se trata de um fim, e sim de um recomeço. Portanto, é o momento de olhar para trás, refletir sobre tudo o que precisa de uma guinada em sua vida para iniciar uma nova fase, assim como desfazer-se de tudo o que já não serve mais, romper laços que tornaram-se um peso e mudar sua atitude diante tudo o que envolve sua vida neste momento.
Hora de renovação, enxergar seus erros e enfrentar seus medos. O ciclo recomeça e você precisa se renovar junto com ele. Por esta relação com a morte também, trazemos conosco a tradição voltada para os ancestrais: para os povos antigos, xamãs etc, os ancestrais são símbolos de sabedoria e força e não deveriam ser temidos, mas sim, reverenciados. Nesta época os líderes espirituais entravam em contato com eles para pedir auxílio e força para os momentos de dificuldade que estavam por vir com a probabilidade de um rigoroso inverno (para uma cultura que vivia sem as praticidades do mundo de hoje, isto poderia significar um tempo de muita fome). Deveriam também se proteger de “espíritos zombeteiros” (by bruxa do 71 - risos), que poderiam atravessar este véu mais tênue, e muitos deixavam algum tipo de oferenda para garantir que não seriam incomodados (muita gente, até hoje, deixa uma vela na janela para auxiliar as almas perdidas a encontrar a luz).
Para aqueles que trabalham com magia, entendemos que todos os outros seres estão mais próximos, espíritos, elementais, etc, enfim, basta respeitar todas as forças da natureza para que possamos viver em harmonia com elas, já que fazemos parte de um mesmo equilíbrio.
Outra coisa, as bruxas geralmente realizam um ritual neste período em honra aos ancestrais, carregado de muito amor e admiração, porém, não é do feitio dos pagãos, normalmente, ficar “mexendo” com aqueles que já se foram...
Bem, voltando ao ciclo, ele estará baseado, o tempo todo, na mudança das estações. Portanto, se em Samhain estaríamos no meio do Outono, em Yule temos o solstício de inverno; em Ymbolc, meio caminho entre o inverno e a primavera, em Ostara o equinócio de primavera. Em Beltane meio entre primavera e verão, em Litha solstício de verão. Em Lugh de verão a outono, em Mabon o equinócio de Outono. A base seria esta e cada momento vêm carregado de forte simbologia, crenças, tradições e costumes. Cada um destes Sabbaths (ou rituais solares, pois foram criados em cima do siclo do sol) está intimamente ligado com a sobrevivência em si, com a alimentação, com o ciclo da natureza e como ela nos proporciona seus diferentes grãos e tipos de alimento. Por este motivo estes povos eram chamados de povos do campo ou homens das colheitas, os famosos pagãos, que foram tão menosprezados com o passar do tempo.
Enfim, cada um destes rituais tem uma razão de ser, e seria impossível falar de todos eles neste momento, mas achei interessante, já que estamos justamente no começo do ciclo, dar uma pincelada sobre o assunto.
Em relação à religião. Estas datas também estão relacionadas a ela, assim como o próprio ciclo da natureza também está. Desta forma, trata-se de uma corrente politeísta, tendo como foco central, o equilíbrio dos oposto: o sagrado feminino e o sagrado masculino, um deus e uma deusa, pois não existe luz sem trevas e tudo o que existe no universo possui uma contraparte.
Neste momento, no ciclo dos deuses, o ciclo que demonstra a evolução da vida em si, o Deus (representado em todas estas culturas pelo sol) está dando os seus últimos suspiros (e a terra não germina mais); aqui ele morre para renascer em Yule (quando o calor está retornando e lofo a terra se tornará fértil de novo). Neste momento ele dá adeus a Deusa (representada pela lua) e, ao mesmo tempo, sua semente germina no útero dela, trazendo o princípio da verdadeira trindade. Na realidade a semente que nascerá será o próprio Deus, que retornará para uma nova vida. Não existe fim, apenas recomeço. Eis a grande ligação de Samhain com a morte. Em relação à Deusa, ela participa do ciclo do Deus em todos os momentos e possui seu próprio ciclo, também relacionado ao ciclo vida em si. Portanto ela passa por três fases: jovem, mãe (maturidade e manutenção da vida) e anciã (a sabedoria e experiência que a vida ensinou). Como neste momento o Deus está se despedindo, ela, embora guarde sua semente, irá expressar sua fase anciã. Isto porque, precisa lidar com a perda e o amadurecimento disto. Precisará ser positiva e paciente, vencer a tristeza e seguir enfrente, com fé de que tudo irá melhorar; qualidades estas que somente serão possíveis com a experiência e aprendizado que a vida trará.
E assim que este período terminar, em meados de Dezembro, o Deus retornará através dela mesma, como seu próprio filho, e teremos o nascimento da criança da promessa: o filho e próprio Deus ao mesmo tempo²... O ciclo continuará através do ano até que alcance novamente Samhaim mas, sobre isto, falaremos mas adiante, em períodos mais adequados...
¹Embora existam as 4 estações eles costumavam dividir o ano em duas metades: a metade mais quente e a mais fria. Portanto Samhain acontece no meio de outono onde o frio começa a aumentar gradativa e consideravelmente rumo ao seu solstício de inverno Yule (que acabou conhecido hoje como Natal).
Será que alguém consegue perceber uma certa, digamos, semelhança com relação a religiões que aparecerem posteriores (desculpem não resisti e acreditem: os pagãos não carregam nenhum tipo de preconceito...).
CONTINUA...
Bênçãos e um ótimo halloween a todos...

Autor Original : http://anafreyarunemal.blogspot.com.br/2011/10/31-de-outubro-origem-do.html
Freya.
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