Introdução à Wicca

Iniciação a bruxaria e magia wicca

A Wicca é uma religião remanescente dos ritos a Deusa em eras remotas.

Não é A Antiga Religião, mas é descendente direta da Antiga Religião da Deusa, assim como outras tradições religiosas. Como religião organizada, e com esse nome, foi criada por Gerald Gardner na década de 50.


É uma releitura de antigos cultos ao Divino Feminino adaptados para a realidade de nosso dia a dia. Assim sendo, é uma religião em eterna evolução, tendo sido modificada, inclusive, de seu início até os dias de hoje. O Conselho de Bruxo Americanos em 1972 incluiu em seus 13 princípios: "Nós não nos abalamos sobre conversas e hipóteses acerca da origem da Arte, porque sabemos quem somos e o que fazemos."

É uma religião dita lunar, o que pode ser traduzido por uma busca do "religare" de uma forma intuitiva, emotiva, sensorial, que visa a comunhão com o Todo. Não é o culto a divindades femininas ou masculinas que classifica o caminho mágico em solar ou lunar, é a forma de interagir com o Todo. Sistemas classificados como solares são dominadores, buscam atingir seus objetivos através da imposição da força.

Acreditam que o ser humano é superior às outras criaturas e portanto, pode explorá-las. São caminhos solares: Cabala, Thelema, Magia do Caos, Magia Templária, Golden Dawn, entre outros. Sistemas ditos lunares acreditam que o ser humano é tão importante quanto qualquer outro ser, buscando então, a integração, a colaboração, a comunhão enfim.
A Wicca é uma religião iniciática e sacerdotal. Só é wiccaniano quem é iniciado (tradicional ou auto-iniciado). E todo iniciado é um sacerdote, não há mediadores entre os praticantes e seus Deuses. Dedicados são postulantes e não wiccanianos.

A Wicca é considerada uma religião de liberdade, mas a maioria das pessoas não compreende exatamente o que isso quer dizer. Há uma diferença entre acolher a diversidade de opiniões e cultos e aceitar qualquer tipo de crença. Toda e qualquer religião possui dogmas. Na Wicca, dogmas são normas a serem seguidas e não "verdades de fé" como em outras religiões, onde, apesar de não terem explicações lógicas, têm que ser aceitas como verdade absoluta pelos praticantes.

Ter dogmas porém, não faz da Wicca uma religião dogmática. Dogmas são regras, dogmatismo é a imposição de idéias. Ser wiccaniano é aceitar os dogmas da Wicca, como em um "contrato de adesão", mas também é aceitar a liberdade de pensamento dento dos mesmos.

São dogmas wiccanianos:


I) A DEUSA E O DEUS

Wicca é uma religião centrada no Divino feminino. A Deusa, como Grande Mãe, representa a energia universal, o Útero de toda Criação. Ela é tudo que nos rodeia e nós mesmos, por isso, temos a mesma importância de um animal, de um vegetal ou mesmo de um raio. Ela é associada aos mistérios da lua, da intuição, da escuridão, da noite. Ela nutre e proporciona as condições ao crescimento. É o inconsciente (pessoal e coletivo), o lado oculto de todos nós e do Todo. O Deus, símbolo da energia masculina, é o filho e consorte da Deusa. É associado ao sol, ao pensamento lógico, à coragem. É o fertilizador. É a consciência do ego, a individualidade.

A polaridade dos princípios feminino e masculino não deve ser confundida com a mulher ou o homem, seres humanos. São energias que se convencionou chamar de tal forma, mas que estão presentes, ambas, dentro de cada ser humano, independente do sexo. Cada homem e cada mulher possui dentro de si as forças da nutrição e da fertilização, da criação e da desintegração, da análise e da síntese, da intuição e da lógica.

A Deusa, possuindo em si mesma a polaridade feminina e masculina, é o único elemento essencial ao culto wiccaniano. Isto não é uma premissa apenas das Tradições Diânicas. Para se fazer Wicca podemos minorizar e até excluir o culto ao Deus (mantendo-se sempre o culto a polaridade masculina), mas jamais podemos ter Wicca sem a Deusa. O Deus, assim como Tudo, é Ela. Nenhum de nós é parte Dela, nem mesmo o Deus, somos Ela.

A Deusa é o elemento primordial do culto wiccaniano, pois Ela é Tudo, até mesmo o Deus. A concepção do Uno vem da visão druídica e Scott Cunningham tentou adaptá-la a Wicca, mas esta é uma religião da Deusa e seuConsorte. É possível fazer Wicca só com a Deusa, com a Deusa e o Deus, mas nunca só com o Deus.

II) O ETERNO RETORNO

Wiccanianos acreditam no eterno retorno, mas têm liberdade para pensarem de formas diferentes quanto ao modo como esse retorno se dá. Alguns acreditam na reencarnação, onde não se perde a individualidade, apenas se retorna a um outro corpo em um outro momento. Existem também os que crêem no renascimento, onde todos nós voltamos para o caldeirão e temos nossas experiências misturadas, perdendo a individualidade.

Devemos ressaltar porém, que o conceito de reencarnação difere, e muito, do conceito kardecista de mesmo nome. Para nós a visão do tempo não é linear, não se busca a "evolução do ser" para alcançarmos algo. Não temos nada a conquistar, nenhum "lugar melhor", porque já estamos aqui. Já somos o que deveríamos ser. O eterno retorno é apenas a continuação dos ciclos, assim como o sol nasce e se põe todos os dias e as estações do ano se seguem ininterruptamente.

A imagem de uma espiral nos dá a exata dimensão disso. As curvas passam por pontos similares ciclicamente, mas estes pontos não são os mesmos. O sol nasce a cada dia, mas um dia não é igual ao outro. O verão vem sempre após a primavera, mas jamais é igual ao anterior. Voltaremos sempre, mas nunca de forma idêntica.

III) A MAGIA

Um dos principais objetivos da Bruxaria é transformar a energia que se encontra a disposição na natureza a nosso favor. É o "girar, dobrar, moldar". Isso é a definição de magia. É conhecer os fluxos da natureza e como utilizá-los para provocar as mudanças desejadas. Para isso é necessário se re-conectar com a natureza, compreender e se harmonizar com seus ciclos. Tudo sempre tendo em vista uma postura de integração-colaboração-comunhão.

IV) O DOGMA DA ARTE

- "Faça o que quiseres, desde que não faça mal a nada nem a ninguém".Primeiramente, não existe o bem e o mal para os wiccanianos, tudo tem seu lugar e razão. O Dogma da Arte é uma regra de conduta apenas, algo que norteia as nossas ações. Somos responsáveis por tudo o que fazemos, pois pertencemos a Grande Teia. Todos os nossos atos têm conseqüências e atingirão, em maior ou menor grau, a todos.


V) A LEI TRÍPLICE

É a conseqüência do Dogma da Arte. É um juramento iniciático a que nos submetemos voluntariamente, mas sem o qual jamais nos tornaremos sacerdotes wiccanianos. Não existe para amedrontar, impedir ou criar culpas, apenas para nos chamar à responsabilidade de nossos atos. Cada um de nós é livre para escolher como deve agir e a Lei Tríplice não vem para impedir essa liberdade. Ela existe para que possamos exercer essa liberdade de forma plena, assumindo nossos atos e arcando com a responsabilidade de fazê-los, ou não.

Difere da lei física de causa e efeito, a que todos estamos sujeitos pela simples razão de estarmos ligados a GrandeTeia, pois como já foi dito antes, só os wiccanianos aceitam a Lei Tríplice expressa e voluntariamente no momento de sua iniciação.

VI) A RODA DO ANO

É composta pelos ritos solares da wicca (os 8 sabbats), que juntamente com os esbats (13 luas cheias) são de celebração obrigatória aos wiccanianos. Os sabbats celebram o ciclo do sol durante o ano e a roda mais comumente utilizada é a celta, apesar de alguns historiadores afirmarem que estes povos não celebravam os equinócios, tendo estes sido incorporados apenas pelo reconstrucionismo celta.

Celebramos a Roda do Ano não apenas como rituais sazonais para os Deuses, mas também para fazer girar a roda junto com os Deuses. A criação não ocorre uma única vez em um ponto pré-determinado da história, ela prossegue ininterruptamente, revelada quando fazemos a roda girar. Temos então um papel de co-criadores da realidade.

A Roda se divide em sabbats maiores, em datas pré-fixadas (1º de Fevereiro, 30 de Abril, 1º de Agosto e 31 de Outubro - Imbolc, Beltane, Lammas e Samhain pelo Norte e vice-versa pelo Sul), e sabbats menores, que correspondem às datas de solstícios (de verão e inverno - Litha e Yule,) e equinócios (de primavera e outono - Ostara e Mabon). Esses últimos são datas variáveis de ano para ano, pois correspondem a eventos naturais dos movimentos de rotação e translação da Terra.

Samhain é quando os véus entre os mundos estão mais tênues. O Deus morre e a Deusa envelhece e se transforma na Velha Sábia, a Senhora do Caldeirão, embora permaneça grávida. É o sabbat da morte e do renascimento;

Yule é quando as sombras reinam, a escuridão atinge seu ápice. Tudo morre, mas a esperança de que o sol retorne é o nascimento da Criança da Promessa, a quem a Deusa dá a luz;

Em Imbolc a Deusa amamenta o Deus que cresce e se renova, voltando a ser jovem. Festejamos a luz, pois os dias são mais longos e a esperança aumenta;

Em Ostara a Deusa é a Donzela da Primavera e o Deus é o jovem Deus Azul do Amor. Eles se conhecem e a promessa de seu amor faz desabrochar a vida, assim como as flores. Luz e sombras estão equilibradas;

Em Beltane a Deusa e o Deus amadurecem e se encontram sexualmente, trazendo a fertilidade à Terra;

Litha é tempo da Rainha do Verão, grávida e linda. O Deus é o macho viril em sua plenitude. É a festa das rosas, o auge da natureza;

Lammas é a primeira colheita. Os grãos são ceifados e o deus sacrificado morre pela primeira vez, renascendo através do grão que nutrirá a humanidade. A Deusa é a Mãe dos Grãos, que nos traz abundância e fartura. Ele então retorna através Dela;

Mabon é a segunda colheita. Novamente luz e sombras se equilibram. O Deus é o Senhor das Sombras, o Ancião. Devemos agradecer o que obtivemos, deixar ir embora o que não nos serve mais e guardar as sementes que deverão ser plantadas na primavera.

Como a Wicca surgiu no hemisfério norte e nós estamos no hemisfério sul, algumas pessoas optaram por celebrar nas datas originais enquanto outras inverteram as estações. É uma questão pessoal, faz parte da liberdade wiccaniana cada um escolher o que melhor se adapta a sua energia. Existem também pessoas que celebram uma roda híbrida, onde os sabbats menores são pelo sul e os maiores pelo norte, mas cabe ressaltar que nesse caso, a roda deixa de ter um caráter circular, contínuo.

(Este texto é de autoria de Liane Laars, da ABRAWICCA, à qual pertence todos os Direitos Autorais. Sempre que copiar este texto, mencionar a fonte.)


)0( A Deusa canta em todos os lugares, em toda a natureza. )0(